Para nós, que moramos numa cidade violenta e poluída, parece impossível perceber que existam lugares como a Aldeia Indígena Krukutu, em Parelheiros, zona sul de São Paulo. A área é cercada por mata e fica às margens da represa Billings. Verdadeiro presente para nossos olhos.
Estive lá numa quarta-feira (10.03.10). O sol estava bem forte. O encontro de águas, com o verde, o céu azul e o cheiro de terra é o cenário ideal para refletirmos o quanto temos menosprezado a natureza e nada feito por ela.
O motivo de minha visita à aldeia foi para conhecer o trabalho realizado com as crianças da aldeia na escola. Fui recebida pelo Luiz Carlos Karaí Rodrigues, coordenador do CECI-Centro de Educação e Cultura Indígena Infantil.
O CECI é uma escola municipal que educa crianças indígenas guaranis de 0 a 6 anos. As crianças possuem rotina como em qualquer escola. As aulas iniciam-se às 8h00 e terminam às 17h00. Durante o dia, as crianças recebem três refeições, sendo este o principal motivo de não haver mais mortes em crianças nessa faixa etária, pois antes disso morriam de 04 a 05 crianças por ano. As mães são convidadas a compartilhar das refeições junto com os filhos que frequentam o CECI.
A escola possui 67 crianças matriculadas e conta com 8 monitores, que se revezam entre os períodos, sendo 4 para cada turno. Os monitores falam guarani, assim como todos os outros índios da aldeia. É falado somente o guarani com as crianças, sendo uma forma de preservação cultural. Em relação à escrita, aos quatro anos, as crianças aprendem algumas palavras, bem poucas, pois a transmissão da língua e todo conhecimento que ela traz é feito através da fala. Somente quando vão para o ensino fundamental em uma escola estadual, é que começam a aprender o português.
O planejamento das aulas é feito a cada quinze dias e a organização do calendário procura atender os ciclos da natureza de acordo com a comunidade. Nos meses de novembro, dezembro e janeiro, por exemplo, é ensinado às crianças que não se deve pescar nem caçar, pois é a época em que os animais se reproduzem. Esta é uma maneira de evitar a extinção dos animais. Também aprendem a plantar em hortas e num viveiro de plantas que se localizam nas proximidades da escola.
As atividades pedagógicas são bem diversificadas, como as trilhas realizadas com alunos e educadores. Durante o trajeto são ensinados às crianças os nomes das plantas, bichos e demais elementos que compõem a natureza.
No calendário escolar, também são previstas contações de histórias, em que os mais velhos ensinam aos pequenos as lendas e tradições do povo guarani. Isso possibilita a transmissão da língua e valoriza a experiência de vida dos mais antigos. Além disso, as crianças realizam atividades com os mais velhos na casa de rezas, onde aprendem as rezas, músicas e danças.
Nas férias de julho, as crianças têm o “Recreio nas férias” e saem para passear em pontos turísticos e culturais da cidade.
As crianças são bem alegres, compartilham todo o material escolar, dificilmente choram e desde quando nascem aprendem a viver em comunidade e se ajudar umas às outras.

Parabéns, Marli, belo trabalho!!!
ResponderExcluirAdorei os textos.
Solange
Imagino que a experiência deve ter sido muito boa. Os guarani resistem há séculos às tentativas da sociedade no sentido de absorvê-los. Parece-me que, quanto mais o tempo passa, mais fortes eles ficam.
ResponderExcluirPerfeito!
ResponderExcluirSou estudante de Pedagogia, em uma Universidade no Rio de Janeiro. Estou profundamente interessada em fazer minha monografia,com uma tema relacionado a cultura indígena, e se houvesse alguma oportunidade de trabalhar com essas crianças, seria uma honra. Parabéns pelo trabalho de vocês.